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Sertaniense Ivon Rabêlo lança seu primeiro livro pela Mariposa Cartonera

Um livro de poema feito de vísceras, mas que é mais do que verborragia e sentimentos expostos exatamente como aparecem. Os poemas de As Vísceras de Vinicius, feitos pelo professor e escritor Ivon Rabêlo, são calculados nas suas palavras e na sua força, mesmo quando parecem surgir dos motivos e momentos mais pessoais. O volume é lançado nesta quarta (9), a partir das 20h, no Texas Bar Café, por uma parceria entre a Mariposa Cartonera e a Cartonera Do Mar. A obra, com edição artesanal e capa de papelão pintada manualmente, custa de R$ 15.
Nascido em Serra Talhada, Ivon estreia na literatura com a obra. “A Mariposa Cartonera abriu no ano passado uma chamada para inéditos pela primeira vez. Eu conhecia o trabalho de Wellington de Melo e achei que seria interessante mandar um material que já tinha. Mais do que acreditar na publicação, eu queria saber se esse trabalho seria bem aceito”, comenta o autor. A obra terminou sendo a escolhida entre os inscritos e é um dos títulos que integra a coleção da Mariposa Cartonera de 2015, ao lado de nomes como Marcelino Freire, Ronaldo Correia de Brito e Paulo Scott.
O livro, depois de submetido, ainda ganhou acréscimos e alterações – Ivon é daqueles que reescreve metodicamente seus versos. “Gosto da ideia de elaborar algo, de burilar a palavra, o verso, a frase. A poesia previsa ser trabalhada sempre. Como leitor, eu sempre tento ver as mil possibilidades que um texto poderia ter. Acho que levo isso para a escrita”, revela. No poema Manifesto (Adj.) avisa “que aqui só haja/ o rumor/ e o concerto/ do concreto// no livor da língua”.
As leituras e diálogos da sua obra são difíceis de definir, afinal, Ivon, como a maioria dos leitores de hoje, é bombardeado todo o tempo com novos escritores, além das leituras básicas. Ainda assim, ele cita três poetas que são casos de amor mais recentes: as americanas Emily Dickinson e Sylvia Plath e a pernambucana Micheliny Verunschk, também romancista.
Além de As Vísceras de Vinicius, Ivon tem outros dois textos inéditos. O primeiro traz sete textos curtos, abruptos, definidos por ele mesmo como uma “prosa poética”. A outra obra é Entes Queridos, uma novela sobre uma pintora que retrata crianças mortas – as 12 telas constituem a história de uma família. “Mas os dois são materiais muito curtos, sem grande fôlego, e ainda não tenho planos de publicá-los”, afirma.
A Mariposa ainda publica, em novembro, outros três livros: Dez Anotações Sobre Negligência Social, de Paulo Scott, Caderno de Vias Paralelas, da cubana Idalia Morrejón Arnaiz, e Pornô Só, de Marcelino Freire.


Do JC 

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