Senadores,
representantes da sociedade civil, do Judiciário e do Governo de Pernambuco,
além de deputados estaduais e lideranças políticas, lotaram hoje o plenário da
Assembleia Legislativa para debater, em audiência pública promovida pela CPI da
Violência contra os Jovens do Senado, o alto índice de assassinato de
adolescentes no Estado. Segundo o Gabinete de Assessoria Jurídica às
Organizações Populares (Gajop), só em 2015, 1.348 jovens morreram vítimas da
violência em Pernambuco. Um média de 5,6 assassinatos por dia.
De acordo com o
líder do PT no Senado, Humberto Costa, autor do requerimento que garantiu a
realização do evento, é fundamental buscar soluções para o problema. “Nós não
podemos apenas assistir às estatísticas de violência contra jovens aumentarem e
não fazermos nada. Temos que pensar em novas soluções, trazer o problema à tona
e juntar todos os esforços para mudar essa realidade”, disse Humberto, que é da
Comissão Parlamentar que apura o assassinato de jovens no Brasil. Além do
líder, também estiveram presentes ao evento a senadora Lídice da Mata (PSB-BA)
e o senador José Medeiros (PPS-MT).
Para o desembargador
do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Luiz Carlos Figueiredo, é preciso fazer
um balanço do problema nos últimos 20 anos. “Temos que resgatar tudo o que já
foi discutido, o que já se avançou e o que ainda não avançou. Não preciso dizer
que, em sua maioria, os que morrem são jovens negros ou pardos, de baixa renda
e de baixa escolaridade. A sensação que eu tenho é que uns remam para um lado,
uns remam para o outro. Mas todos têm vontade de trabalhar. Por isso, temos que
coordenar essas ideias e romper esse ciclo”, afirmou.
Para a senadora
Lídice da Mata, o número de assassinatos de jovens em Pernambuco e no Brasil
não pode ser só visto como um problema de segurança pública. “O que a gente vem
percebendo é que a violência é só isso. É uma questão social. A violência é
resultado da pobreza que se soma ao racismo contra os negros e os índios”,
afirmou.
O Índice de
Homicídios na Adolescência (IHA) calcula que cerca de 42 mil adolescentes entre
12 a 18 anos poderão ser assassinados em seis anos nas cidades brasileiras com
mais de 100 mil habitantes. Se a perspectiva for confirmada, para cada grupo de
mil crianças com 12 anos completos em 2012, 3,32 serão vítimas de homicídio
antes de chegarem aos 19 anos.


