Os brasileiros
devem se preparar para tempos difíceis. Ainda que a grande maioria da população
não tenha a exata noção de como o rebaixamento do Brasil pela agência de
classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) afetará sua vida, há uma
certeza: coisa boa não é. A sabedoria popular não falha. Nos próximos meses, o
país vai se deparar com um quadro caótico, que mistura desemprego com inflação
alta, juros extorsivos, crédito escasso, dólar a R$ 4 e inadimplência. A
dessarumação será tamanha que a economia registrará pelo menos dois anos
seguidos de retração, fato que não se vê desde a Grande Depressão, no início
dos anos de 1930.
“Teremos um grande
período de perdas”, admite o economista Carlos Alberto Ramos, da Universidade
de Brasília (UnB). O retrocesso se dará, sobretudo, por causa da perda do
emprego e da renda. “Estamos prevendo taxa de desocupação de 10% no fim deste
ano”, afirma. Isso significa dizer que, em apenas 12 meses, a taxa vai mais que
dobrar. Em dezembro do ano passado, quando a presidente Dilma Rousseff
alardeava que o governo havia conseguido manter os postos de trabalho mesmo com
a crise, o desemprego estava em 4,3%. Trata-se de uma piora sem precedentes em
tão curto espaço de tempo.
No entender dos
especialistas, assim como o governo precisa cortar gastos para arrumar a casa,
a população terá que pisar fundo no freio do consumo. “O sacrifício será
grande”, admite João Pedro Ribeiro, da Nomura Securities. Com a recessão se
agravando, podendo comprometer até 2017, a população terá de conviver com forte
aumento da informalidade e das desigualdades. Especialistas que acompanham indicadores
sociais do país já vem uma parcela das pessoas que ascenderam à nova classe
média nos últimos anos voltando a fincar os pés na pobreza. Não será um processo
rápido, mas, ao final dele, poderá se ver um retrocesso expressivo.
Os prejuízos
contabilizados por países que perdem o grau de investimento são inevitáveis,
garante a economista Julia Gottlieb, do Itaú Unibanco. Ela se deu ao trabalho
de verificar o que aconteceu com nações que perderam o selo de bom pagador. O
PIB caiu por dois anos seguidos. A inflação, por causa da disparada do dólar,
aumentou dois pontos percentuais no ano do rebaixamento. Os juros também
subiram e a dívida bruta, que mostra a saúde das finanças do governo, disparou.
É possível que, no Brasil, o endividamento público salte dos atuais 64,6% para
71% do PIB.
Do
Correio Brasiliense


