O governador do
Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), o ex- governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) e o
presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, lançaram neste domingo (6) uma nova
versão da Rede da Legalidade, contra o impeachment da presidente Dilma
Rousseff.
O anúncio foi feito
durante uma coletiva de imprensa, na sede do governo do Maranhão. A
proposta é similar à iniciativa capitaneada em 1961 por Leonel Brizola,
que buscou organizar uma resistência à primeira tentativa de golpe contra João
Goulart.
Enquanto na década
de 1960 a Rede da Legalidade teve o rádio como principal canal de difusão, a
versão moderna da iniciativa vai buscar apoio principalmente na internet. Uma
das estratégias é mobilizar o público por meio das redes sociais. Pensando
nisso, Flávio Dino anunciou o lançamento da página Golpe nunca mais no
Facebook. O nome é uma alusão ao projeto “Brasil nunca mais”, que denunciou os
crimes cometidos pela ditadura militar de 1964/1985 contra os seus opositores
políticos. Segundo o governador, o objetivo é “mostrar o que acontece quando a
Constituição não é respeitada”.
Os responsáveis
pelo lançamento da frente em defesa do mandato de Dilma argumentam que o pedido
de impeachment não encontra respaldo na Constituição Federal, pois a presidente
não está diretamente envolvida em crimes de responsabilidade. “Não há nenhum
ato da presidente da República que atente contra a probidade dela. Mesmo os
adversários mais firmes da presidente não imputam a ela nenhum ato de
corrupção”, disse Flávio Dino. “Não é razoável, ela é uma senhora decente”,
completou Ciro Gomes, que enfrentou o PT nas eleições presidenciais de 2002,
mas desde o primeiro governo Lula tem sido aliado das administrações petistas.
Para Flávio Dino,
Ciro Gomes e Lupi, o impeachment de Dilma é uma tentativa de golpe. Os três se
disseram dispostos a promover mobilizações de massa para reforçar o apoio à
manutenção do atual governo. “Nós não podemos nos calar, aceitar passivamente
uma virada de mesa antidemocrática. Não podemos aceitar que se rasgue a
Constituição, isso está acima de qualquer governo”, afirmou o governador, que
aproveitou para deixar um recado “para quem não gosta do governo”: “Quero dizer
que as críticas todas são legítimas. O direito à oposição é legítimo, mas ele
não está acima do país. No presidencialismo, não existe impeachment por gosto”.
O presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi alvo de duras críticas dos três políticos.
“Não vejo legitimidade do presidente daquela Casa em fazer o impeachment de
ninguém. Ele é um homem sob suspeição”, disse Carlos Lupi, fazendo referência
às acusações que levaram Cunha a responder atualmente a um processo no Conselho
de Ética da Câmara por suposta quebra de decoro parlamentar. Além disso, o
peemedebista é um dos investigados da Operação Lava Jato, em curso no
âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), suspeito de ter recebido propinas
milionárias do esquema de corrupção descoberto pela Polícia Federal na Petrobras.
“Não pode ser que esse homem seja transformado no guardião da Constituição e da
lei. É uma inversão absurda”, completou Lupi.
O presidente do PDT
aproveitou a ocasião para anunciar o pré-lançamento da candidatura de Ciro
Gomes à Presidência da República em 2018. Recém-filiado ao partido, Ciro Gomes
ainda terá que enfrentar o senador Cristovam Buarque (DF) na disputa pela
indicação da legenda na próxima corrida presidencial.
Em seu
pronunciamento, Ciro Gomes também acusou o vice-presidente Michel Temer de ser
o “capitão do golpe”. “O Michel Temer é sócio íntimo do Eduardo Cunha, colega
de partido, eu sei o que estou dizendo”, disse o ex-governador do Ceará, para
quem o PMDB é principal beneficiário da saída de Dilma, já que os três nomes na
linha sucessória da Presidência da República são do partido: Temer, Cunha e o
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também investigado na Lava
Jato. Para Ciro, no entanto, Eduardo Cunha age em favor do impeachment por
encontrar respaldo em “setores conservadores e reacionários” do país.


